terça-feira, 14 de abril de 2015

MERCÚRIO NA MESA

Olá, pessoal! Hoje vamos falar sobre um problema recorrente, que é a intoxicação humana pelo mercúrio. Se você quer saber o que isso tem a ver com peixe, fique ligado!
A intoxicação humana por metilmercúrio (principal forma orgânica do mercúrio) gera inúmeras sequelas. Algumas delas são dormência e sensibilidade diminuída nas extremidades e na boca (parestesia); dificuldade de coordenar o movimento dos pés e das mãos (ataxia); dificuldade de articular as palavras com clareza da fala (dislalia); dificuldade de concentração, sensação de fraqueza e fadiga constante (neurastenia); perda gradual ou total da visão e da audição e em casos extremos pode levar ao coma e à morte. Vale ressaltar que o período de latência para o aparecimento dos primeiros sintomas da intoxicação pelo metilmercúrio varia muito, podendo chegar a anos. Você deve estar se perguntando: O que isso tem a ver com o peixe que eu como?
Tudo! Os dados de intoxicação desse metal em humanos relatam que a sua principal via de contaminação é o consumo de peixes. A preocupação com essa questão vem crescendo a cada dia. Nos Estados Unidos campanhas de esclarecimento e alerta são exaustivamente realizadas com a população. No Brasil, porém, vivemos outra realidade. A principal fonte de mercúrio é a poluição por resíduos da extração de ouro, já que esse metal é usado em uma das etapas dessa extração, chamada amalgamação. As comunidades que praticam essa atividade são, na maioria das vezes, de baixa renda, localizadas em lugares de difícil acesso e têm como principal fonte proteica o pescado. Tudo isso contribui para a contaminação e para ausência dessas campanhas em nosso país.
O mercúrio é incorporado à cadeia trófica por diferentes mecanismos e a sua acumulação no organismo do peixe é favorecida, sendo que 80 a 95% do mercúrio total se encontra na forma metilada, a mais tóxica e a mais lenta de ser eliminada. Assim, esse metal além de se bioacumular também se biomagnifica, ou seja, os organismos no topo das cadeias alimentares têm concentrações maiores que aqueles do início. O teor de mercúrio no peixe deve ser menor que 300μg/Kg para que ele seja considerado apropriado para consumo frequente e entre 300 e 600μg/Kg para consumo eventual. Como os peixes têm um amplo aspecto alimentar, que varia de algas a outras espécies de peixes, é preferível ingerir espécies que se encontrem nos níveis mais baixos da cadeia alimentar. Para isso, é importante a contínua avaliação dos peixes mais consumidos pela população. Esta ação permitiria a atuação mais objetiva das autoridades e das lideranças comunitárias permitindo orientações relacionadas às espécies mais apropriadas para consumo, aos grupos mais vulneráveis, etc.
 Assim, é importante estar atento às questões discutidas, buscando saber quais espécies são fontes mais seguras de alimentação. E nada de pensar que a melhor opção é parar de consumir peixes, pois, como vimos na postagem passada, eles são ótimas fontes nutricionais ;) 

Até a próxima! :)

Referências:

YALLOUZ, Allegra Viviane. Método alternativo de determinação de mercúrio em amostras ambientais: uma ferramenta na prevenção de intoxicação por peixe contaminado. Cad Saúde Coletiva, v. 13, n. 4, p. 855-68, 2005.

BISINOTI, Márcia Cristina; JARDIM, Wilson F. O comportamento do metilmercúrio (metilHg) no ambiente. Química Nova, v. 27, n. 4, p. 593-600, 2004



terça-feira, 7 de abril de 2015

QUAL COMPOSIÇÃO PROTÉICA DO PESCADO E POR QUE SENTIMOS FOME MAIS RAPIDAMENTE AO COMER PEIXE DO QUE AO COMER CARNE VERMELHA?

          Olá, pessoal! Na nossa primeira postagem iremos conversar sobre a composição protéica do pescado e por que sentimos fome mais rapidamente ao ingerirmos peixe do que ao comer carne vermelha.
       Embora extremamente variável, a composição química da carne do pescado, particularmente dos peixes, aproxima-se bastante da composição de aves, bovinos e suínos. Seu principal componente é a água, cuja proporção, na parte comestível, pode variar de 64% a 90%, seguido pelas proteínas, de 8% a 23%,e pela gordura, de 0,5% a 25%. Entre os constituintes minoritários dos pescados encontram-se os sais minerais, cujo teor varia de 1% a 2%, os carboidratos, que no caso dos peixes não chegam a representar 1% da sua composição, e as substâncias nitrogenadas não protéicas, sem importância nutricional, que atingem 0,5% na carne dos peixes frescos.
           A carne de peixe apresenta a mesma proporção de proteínas que as carnes bovinas, suínas e de aves, porém de qualidade superior devido ao fato de conter menor teor de tecido conjuntivo - constituído de proteínas de baixa qualidade - do que as outras carnes. Dentro do aspecto da qualidade proteica do peixe, um estudo sobre suas implicações nutricionais determinou que os peixes contêm níveis de proteínas de 17 a 25%.

           Mas afinal, por que sentimos fome mais rapidamente ao comer peixe? A proteína de peixe é altamente digerível. Isso faz com que a sua metabolização seja mais rápida que as de carne vermelha. Por isso, sentimos fome em um intervalo de tempo menor. Assim, quando ingerimos peixe, sua proteína é absorvida mais facilmente e quase integralmente (95% a 100%), enquanto ao consumir outras carnes metabolismo é mais demorado e não ocorre em tal proporção.
      Vale ressaltar ainda que o peixe é rico em metionina e em lisina, aminoácidos essenciais, cuja ingestão na dieta é fundamental, pois não é produzido pelo organismo. A composição de aminoácidos essenciais (histidina, isoleucina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina) no peixe é completa, balanceada e bastante semelhante entre as espécies de água doce e água salgada. Quanto às proteínas da carne dos peixes, a miosina é rica em ácido glutâmico (22,5%), acido aspártico, lisina, leucina e isoleucina, que juntos perfazem aproximadamente 55% dos aminoácidos totais, podendo variar em função da espécie, tamanho, gênero, habitat e estação do ano, compreendendo, geralmente, cerca de 20% de proteína total.

         Por fim, no músculo dos mamíferos existem ligações cruzadas químicas, em vários grupos, dos colágenos fazendo com que seja necessário extenso cozimento para amaciar o músculo. Em contrapartida, o colágeno do músculo do peixe possui temperaturas de derretimento inferiores e é facilmente convertido em gelatina no cozimento.
Bom RU, galera!! \o/

  
Até a próxima! :(: