Olá,
pessoal! Hoje vamos falar sobre um problema recorrente, que é a intoxicação
humana pelo mercúrio. Se você quer saber o que isso tem a ver com peixe, fique
ligado!
A
intoxicação humana por metilmercúrio (principal forma orgânica do mercúrio)
gera inúmeras sequelas. Algumas delas são dormência e sensibilidade diminuída
nas extremidades e na boca (parestesia); dificuldade de coordenar o movimento
dos pés e das mãos (ataxia); dificuldade de articular as palavras com clareza
da fala (dislalia); dificuldade de concentração, sensação de fraqueza e fadiga
constante (neurastenia); perda gradual ou total da visão e da audição e em
casos extremos pode levar ao coma e à morte. Vale ressaltar que o período de
latência para o aparecimento dos primeiros sintomas da intoxicação pelo metilmercúrio
varia muito, podendo chegar a anos. Você deve estar se perguntando: O que isso
tem a ver com o peixe que eu como?
Tudo! Os dados de intoxicação desse metal em
humanos relatam que a sua principal via de contaminação é o consumo de peixes.
A preocupação com essa questão vem crescendo a cada dia. Nos Estados Unidos
campanhas de esclarecimento e alerta são exaustivamente realizadas com a população.
No Brasil, porém, vivemos outra realidade. A principal fonte de mercúrio é a
poluição por resíduos da extração de ouro, já que esse metal é usado em uma das
etapas dessa extração, chamada amalgamação. As comunidades que praticam essa
atividade são, na maioria das vezes, de baixa renda, localizadas em lugares de
difícil acesso e têm como principal fonte proteica o pescado. Tudo isso
contribui para a contaminação e para ausência dessas campanhas em nosso país.
O mercúrio é incorporado à cadeia trófica por
diferentes mecanismos e a sua acumulação no organismo do peixe é favorecida, sendo
que 80 a 95% do mercúrio total se encontra na forma metilada, a mais tóxica e a
mais lenta de ser eliminada. Assim, esse metal além de se bioacumular também se
biomagnifica, ou seja, os organismos no topo das cadeias alimentares têm
concentrações maiores que aqueles do início. O teor de mercúrio no peixe deve
ser menor que 300μg/Kg para que ele seja considerado apropriado para consumo
frequente e entre 300 e 600μg/Kg para consumo eventual. Como os peixes têm um
amplo aspecto alimentar, que varia de algas a outras espécies de peixes, é
preferível ingerir espécies que se encontrem nos níveis mais baixos da cadeia
alimentar. Para isso, é importante a contínua avaliação dos peixes mais
consumidos pela população. Esta ação permitiria a atuação mais objetiva das
autoridades e das lideranças comunitárias permitindo orientações relacionadas
às espécies mais apropriadas para consumo, aos grupos mais vulneráveis, etc.
Assim, é importante estar atento às questões
discutidas, buscando saber quais espécies são fontes mais seguras de
alimentação. E nada de pensar que a melhor opção é parar de consumir peixes,
pois, como vimos na postagem passada, eles são ótimas fontes nutricionais ;)
Até a próxima! :)
Referências:
YALLOUZ, Allegra Viviane. Método alternativo de determinação de mercúrio em amostras ambientais: uma ferramenta na prevenção de intoxicação por peixe contaminado. Cad Saúde Coletiva, v. 13, n. 4, p. 855-68, 2005.
BISINOTI, Márcia Cristina; JARDIM, Wilson F. O comportamento do metilmercúrio (metilHg) no ambiente. Química Nova, v. 27, n. 4, p. 593-600, 2004

