sábado, 30 de maio de 2015

DETERIORAÇÃO DO PESCADO

E aí, galera!?

Em nossas postagens passadas já falamos sobre a diferença entre a carne do pescado e a carne vermelha, peixes reimosos, ômega 3, câncer de pele no pescador e protetor solar, resíduos de peixes e também sobre a contaminação de peixes com o mercúrio. Hoje vamos abordar um pouco sobre o processo de deterioração do pescado.
Entre os produtos de origem animal, o pescado é o mais suscetível à deterioração devido a vários fatores intrínsecos e extrínsecos. Entre os fatores intrínsecos, apresentam maior relevância: a elevada atividade de água dos tecidos, o teor elevado de nutrientes que podem facilmente ser utilizados pelos micro-organismos, a rápida ação destrutiva das enzimas naturais presentes nos tecidos, a alta taxa de atividade metabólica da microbiota, a grande quantidade de lipídeos insaturados e pH próximos à neutralidade. O fator extrínseco principal é a manipulação do pescado que é fundamental na qualidade do mesmo.
Vamos falar um pouco sobre a ação desses fatores.

MANIPULAÇÃO DO PESCADO
O modo de captura pode influenciar na qualidade do pescado, pois se ele se debate muito tentando se libertar da rede ou morre em agonia nos barcos, a sua reserva de glicogênio se esgota e ocorre o rigor mortis mais rapidamente. Três princípios básicos devem ser seguidos: resfriar imediatamente, evitar abusos de temperatura e manter elevado o grau de limpeza tanto na cobertura como no porão do barco.  A evisceração e a lavagem constituem outras operações que exigem cuidados durante a manipulação.
Rigor mortis
Rigor mortis significa o enrijecimento do músculo como resultado do esgotamento de trifosfato de adenosina (ATP). Após a morte do pescado, os compostos orgânicos da carne se hidrolisam. O glicogênio é o composto que se hidrolisa mais rapidamente, provocando acúmulo de ácido lático no músculo e reduzindo o pH. Este evento é resultado de reações bioquímicas
complexas no músculo, ocorrendo do seguinte modo: após a morte do peixe por asfixia, cessa a entrada de O2, e os produtos metabólicos não oxidados no sangue e nos músculos paralisam o sistema nervoso. Ocorrem a hiperemia e a liberação de muco. Neste momento, o peixe está em pré-rigor, fase que dura de 1 a 2 horas, tendo o glicogênio como fonte de energia e o ATP combinado com a miosina, o que confere ao peixe uma carne branda com pH médio de 7,0. O ATP presente é usado para liberar energia, transformando-se em ADP (adenosina difosfato). Em seguida, há redução total do ATP. É liberada a miosina que estava combinada com o ATP. Aparece o ácido láctico formado a partir da degradação do glicogênio. Este é o ponto de passagem do pré-rigor para o rigor manipulação, tamanho e condições físicas do pescado. Ao terminar essa fase, têm início as fases de deterioração por autólise e bacteriana.

AUTÓLISE
Autólise é o processo de hidrólise das proteínas e gorduras do pescado devido à ação das enzimas proteolíticas e lipolíticas. Esse processo contribui para perda da qualidade do peixe fresco, mas é pouco significativa no refrigerado.
A autólise é um processo decorrente de duas ações principais:
§  Ação dos sucos digestivos: sua natureza ácida junto com as enzimas proteolíticas atravessam a parede gástrica e provocam a decomposição do músculo, além de contribuir para disseminação de microrganismos decompositores;
 §  Ação das enzimas dos tecidos: “amolecem a carne” deixandoo caminho livre para ação de microganismos;

DECOMPOSIÇÃO BACTERIANA
A ação das bactérias é um dos principais fatores para a decomposição da carne, em sua maioria apresentando ações proteolíticas e lipolíticas. As reações que elas provocam são em grande parte responsável pelo odor desagradável da carne podre.  A ação microbiana no pós-morte se deve a ausência de defesas naturais contra a penetração de micro-organismos na carne, o que existia enquanto músculo.  Essas bactérias consistem principalmente de bastonetes gram-negativos não esporulados.
No peixe, a parte mais suscetível à ação desses micro-organismos são as brânquias. O processo e a natureza da decomposição bacteriana dependem da composição da microbiota, da oxidação aeróbia ou de processos de redução aeróbia. Os principais produtos finais da decomposição bacteriana são: substâncias inorgânicas, hidrogênio, CO2, amoníaco, compostos sufurados, H2S e mercaptanos; ácidos graxos de cadeia, ácidos aromáticos, bases orgânicas, incluindo as mais simples monoaminas, monoaminas cíclicas e diaminas. As principais alterações nos compostos nitrogenados não proteicos são: redução do óxido de trimetilamina (OTMA) a trimetilamina (TMA), descarboxilação da histidina em histamina e decomposição da ureia com liberação de amônia.

OXIDAÇÃO LIPÍDICA
A oxidação dos lipídios se dá pela perda de elétrons devido à transferência destes de uma substância a outra. Essa reação é causada principalmente pelo oxigênio atmosférico. A oxidação lipídica leva à formação de radicais livres, promovendo alterações de diversas propriedades, principalmente as sensoriais (sabor, aroma, textura e cor).
A velocidade da oxidação depende do grau de insaturação dos ácidos graxos. Quanto mais insaturados, mais suscetíveis à oxidação eles estão. O pescado possui grande número de ácidos graxos insaturados, por isso é mais suscetível às mudanças de sabor, cor, cheiro e textura, como falado acima, que as outras carnes, tornando-se rançoso.
Então é isso pessoal! Mais cuidado quando for pescar, comprar e armazenar os pescados ou você pode ter uma surpresa não muito agradável horas ou dias depois...
Até a próxima! J

Referência:

SOARES, Karoline Mikaelle de Paiva; GONÇALVES, Alex Augusto. Qualidade e segurança do pescado. Revista do Instituto Adolfo Lutz (Impresso), v. 71, n. 1, p. 1-10, 2012.

3 comentários:

  1. GRUPO M:

    É de conhecimento de todos que a carne do peixe possui um alto potencial de deterioração, que exige cuidados em toda a cadeia produtiva, relacionados principalmente à refrigeração e à manipulação que evitam alterações no frescor e com essa postagem podemos entender um pouco sobre esse processo, quais são suas etapas, como ocorrem, enfim. E percebemos a importância desse estudo uma vez que os benefícios nutricionais do peixe só podem ser aproveitados quando os fatores segurança e qualidade forem garantidos, e eles são garantidos ao entendermos esse processo de deterioração exposto na postagem. Em relação à manipulação do pescado, citado na postagem como um dos fatores extrínsecos de deterioração do mesmo, vale ressaltar que o resfriamento é a operação mais crítica na manipulação do pescado a bordo. A utilização de gelo de forma adequada e na devida proporção é a forma mais comum. O pescado fresco deve ser mantido o mais próximo possível do ponto de congelamento, com a temperatura próxima a 0 °C. O gelo utilizado na conservação do pescado em escamas ou picado de barras deve ser produzido a partir de água potável e ter boa procedência e qualidade principalmente quanto ao padrão microbiológico, pois, apesar de o gelo não ser um bom meio de cultivo para bactérias, devido à falta de nutrientes, o mesmo poderá funcionar como veículo de transporte ao pescado. Esperamos ter contribuído com a postagem da semana :))

    SOARES, Karoline Mikaelle de Paiva; GONÇALVES, Alex Augusto. Qualidade e segurança do pescado. Revista do Instituto Adolfo Lutz (Impresso), v. 71, n. 1, p. 4, 2012.

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  2. Grupo D
    É verdade os pescados eles tem um período bem curto de validade principalmente se não for transportados e armazenados de forma correta, em decorrência disso encontrei algumas dicas no site do Procon, em que os consumidores devem ficar atentos na hora de comprar seu peixe, como: preste atenção na aparência e no cheiro; a carne deve ser firme e resistente à pressão dos dedos, os olhos brilhantes e salientes, guelras vermelhas, escamas bem aderidas à pele (que deverá ser úmida e sem viscosidade). Como o post explanou, várias alterações bioquímicas podem mudar essas características apresentada pelo órgão de proteção ao consumidor.

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  3. Interessante postagem, pessoal! Inclusive cabe salientar que a carne do pescado é constituída principalmente de tecido muscular, conetivo e gordura. Sendo que sua composição varia de acordo com fatores, dentre os quais estão: espécie, estado fisiológico, época, região de captura e forma de manuseio. A maioria dos compostos nitrogenados do pescado faz parte das proteína, sendo que estas têm uma vantagem em relação às bovinas, pois estimulam a secreção gástrica e facilita a mastigação.
    Já a gordura do pescado diferencia-se das vegetais e das de animais de corte em geral, pois possui uma maior variedade de ácidos graxos e possuem gorduras mais poliinsaturadas.
    http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/40077/000827108.pdf?se

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