sábado, 2 de maio de 2015

Peixes reimosos ou carregados: mito ou verdade?

Quem nunca deixou de comer um peixe delicioso porque a avó disse que “faz mal pra sua dor de dente” ou “você não pode porque tá menstruada”? E aí, o que fazer nessas horas? Acreditar na avó e ficar com água na boca ou comer o peixe e correr o risco de piorar sua situação? Boa pergunta, não é? Então vamos tentar respondê-la!


‘Reima’ vem do grego reuma e originalmente significava corrimento ou catarro. Segundo a sabedoria popular, alimento reimoso, em alguns lugares conhecido como “carregado”, é aquele que faz mal à saúde e não deve ser consumido por pessoas em situação de risco, como em pós-operatório, com quadros de infecção ou inflamação e ferimentos, pois eles aumentam os danos teciduais e geram a formação de pus e a exacerbação do processo inflamatório.
Mas, e o que diz a ciência? A comprovação fisiopatológica da ação desses alimentos nos processos inflamatórios ainda é pouco estudada. No entanto, há algumas hipóteses teóricas sobre o assunto, com base nos fundamentos da imunologia.
A característica comum a quase todos os animais ditos reimosos é uma fase alimentar associada ao consumo de matéria em decomposição, normalmente acompanhada de vários decompositores, como bactérias. Durante o cozimento da carne desses animais, as bactérias podem ser mortas, mas as suas toxinas podem resistir. A hipótese fisiopatológica para explicar a atuação desses alimentos é pautada nas duas funções de respostas do sistema imunológico: as imunidades inata e adaptativa.
A imunidade inata é aquela pautada na ação de células, como macrófagos, neutrófilos e células natural killer através de ações ligadas à fagocitose, liberação de mediadores inflamatórios e síntese de proteínas. Esse mecanismo é ativado por estímulos específicos de estruturas existentes na superfície de microrganismos, como lipopolissacarídeos, resíduos de manose e ácidos teicoicos, que são reconhecidos por receptores celulares  conhecidos como receptores de reconhecimento de padrões (RRP). Por esse princípio, então, entende-se que uma das hipóteses para a ação dos peixes e demais alimentos reimosos sobre o organismo com algum dano tecidual é o reconhecimento dos microrganismos resistentes ao cozimento pela imunidade inata. Assim, como já havia um dano tecidual primário e com o sistema imune ativado, a ingestão de alimentos reimosos teria ação de exacerbação do processo inflamatório, com aumento das fases vasculares e celulares, aumento de substâncias solúveis (proteína C reativa, prostaglandina, histamina, óxido nítrico, etc) e permanência do quadro clínico inicial (dor, rubor, calor, edema e prejuízo funcional).
Com a persistência do estímulo nóxico, a resposta inflamatória vai mudando de aguda para crônica e há uma mudança progressiva no padrão celular (monócito, macrófago e linfócito) e dos líquidos que infiltram o tecido. A resposta imune passa de inata para adaptativa. Assim, outra hipótese para todo esse processo está relacionada à reação de hipersensibilidade imediata, pela presença da imunoglobulina E (IgE). Essa hipersensibilidade é desencadeada por interações entre o alérgeno e a IgE fixada a receptores na superfície de mastócitos e basófilos, com liberação de histamina e outras substâncias, piorando o quadro clínico do indivíduo.
E então, surpreso (a) com a resposta? A sua avó pode até não saber o porquê, mas ela está certa! É bom ter mais cuidado com o que for comer em dias críticos, porque, se tá ruim, pode piorar...
Até a próxima, galera! J

Referências:
DE BRITO JÚNIORA, Lacy Cardoso; ESTÁCIOB, Adriana Guimarães. ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA. rev assoc med bras, v. 59, n. 3, p. 213-216, 2013

SILVA, Andréa Leme da. Comida de gente: preferências e tabus alimentares entre os ribeirinhos do Médio Rio Negro (Amazonas, Brasil). Revista de Antropologia, v. 50, n. 1, p. 125-179, 2007

25 comentários:

  1. GRUPO M:

    Muito boa e esclarecedora a postagem, esta era uma dúvida que eu tinha e sempre que minha avó dizia que certo peixe era reimoso eu ficava me perguntando o que isso significava. Algo bem cotidiano esse tema e de bastante relevância, uma vez que nos leva a ver que essa “crença popular” tem, sim, um fundamento, mesmo que ainda não muito estudado e sendo alvo de contrapontos. Vale ressaltar ainda que a causa da reima de certos alimentos, além de relacionada com os hábitos dietéticos (consumo de matéria em decomposição) relatado na postagem, ela está relacionada também a características físicas do peixe, como o tipo de coloração, presença de esporão, quantidade de gordura, entre outros. Este último fator é o mais levado em consideração, uma vez que a grande concentração de gordura torna difícil a digestão pelo organismo, o que pode levar a sintomas como dor de barriga, diarreia. Além disso, é importante destacar o fato do peixe reimoso apresentar uma íntima relação individual entre cada organismo e o alimento que este ingere, uma vez que a reima não é uma qualidade inerente apenas ao alimento, mas se associa sempre a uma situação, e é por isto que muitos acreditam que a cicatrização não está relacionada ao tipo de alimento que o paciente consome, se ele é reimoso ou não, mas às condições existentes para que o corpo possa realizar esse processo. Esperamos que nosso grupo tenha contribuído com a postagem do blog que nos foi de grande relevância e bastante esclarecedora.

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  2. GRUPO G

    Adorei o tema, sempre tive um pouco de curiosidade, embora eu acredite e sempre tenha ouvido falar que o peixe não é um alimento reimoso (ou remoso, como eu pensava).

    Sempre associei essa questão a alimentos como crustaceos e alimentos ricos em gordura, por esses serem desencadeadores de pocessos inflamatorios e poderem aumentar a inflamação em outras partes do corpo.

    Os alimentos mais conhecidos são: o camarão, pois possue quitosana, uma substância que favorece a inflamação em pele; a carne de porco, que inflama a pele e estimula a formação de colágeno em excesso, resultado cicatrizes queloidianas; a soja, que libera substâncias inflamatórias do próprio organismo; a pimenta, que tem capsaicina e é agressiva para a pele; e até o abacate, que é uma fruta, mas pode atrapalhar a cicatrização, ou seja os que apresentam elevada concentração de proteína e gordura animal.

    Normalmente, quando se trata de alimentos animais, são os que apresentam uma fase alimentar associada ao consumo de alimentos em decomposição, que normalmente apresentam grande quantidade de decompositores, como as bactérias.

    Quando se trata de alimentos derivados de outras fontes, considera-se a grande concentração de gordura, como abacate e chocolate por exemplo. A gordura está associado ao aumento de celulas inflamatorias.


    A preparação desses alimentos, mesmo quando bem cozidos, pode levar à destruição das bactérias, porém, não a de suas toxinas, em geral resistentes ao cozimento.

    O conhecido porpularmente efeito negativo desse tipo de comida está associado a ocasiões em que a pessoa já se encontra, de alguma forma, vulnerável, como durante a menstruação, puerpério (o período pós-parto), distúrbios intestinais, ferimentos, reações alérgicas ou expectoração.

    http://cirurgiaplasticafortaleza.srv.br/comida-reimosa-e-mito/
    http://cirurgiaplasticafortaleza.srv.br/category/alimentacao/

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  3. Grupo H
    Sempre ouvi essa história, mas para carne de porco e não peixe. Mas fui procurar estudos sobre isso e vi que determinados peixes são considerados reimosos e outros não. Em estudo comparativo, inferiu-se que a pele do Mapará foi reimosa e a pele da Pescada Branca foi inócua para os animais a elas expostos experimentalmente. Incrível como o conhecimento empírico pode ser tão apurado e condizente com fatos científicos.
    Até!

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  4. Ótimo post, pessoal! Resolvi só completar um pouquinho o que vocês escreveram sobre IgE e macrófagos, então resolvi falar do mecanismo de secreção dos macrófagos. Acontece assim: moléculas de IgE ligam-se a receptores de superfície celular; após a segunda exposição ao antígeno, as moléculas de IgE presas aos receptores ligam-se ao antígeno. Esta ligação ativa a adenil ciclase e resulta na fosforilação de certas proteínas; ao mesmo tempo, há uma entrada de cálcio na célula; isso promove a fusão de grânulos citoplasmáticos específicos e a exocitose do seu conteúdo; além disso, fosfolipases atuam nos fosfolípides da membrana produzindo leucotrienos. O processo de extrusão não lesa a célula, que permanece viável e continua sintetizando novos grânulos.

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  5. Uma hipótese bastante infundada, relacionar o hábito alimentar de determinadas espécies com a qualidade de sua carne. Não está se considerando os aspectos de preservação e conservação do alimento e nem da sua origem. O mito popular vai mais longe, até se o rabo do peixe é aberto ou fechado e se é um peixe de escamas ou não. Muito dos problemas associados ao consumo de pescado está no uso de conservantes tais como o bissulfito de sódio, muito usado em crustáceos e pescados.

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  6. Cioba é um peixe reimoso?fiz uma cirurgia de retirada de haste no fêmur e gostaria de saber.Qual peixe posso comer?

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  7. Segundo minha mãe e a mãe dela, minha avó, a Cioba não é reimoso ou carregado. Vovó comia toda semana e nunca fez mal a ela que tinha inflamação nos olhos. O médico dela que recomendou a Cioba.

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  8. Complementando a resposta anterior, mamãe tem erisipela bolhosa e está se curando, mas ainda tem uma ferida aberta e comeu cioba ontem com o pirão feito do caldo e hoje não teve qualquer reação alérgica ou piora na ferida, graças à informação do médico de minha avó.

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  9. Eu fiz uma cirurgia de ovarios a 2 meses e pela 2 vez que como peixe tenho infecção urinária o primeiro peixe foi anchova o segundo foi Serra isso é normal procede esses sintomas e comer e amanhecer com orina escura ardência..e hospital na certa e o exame mostra infecção urinária!!

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  10. O peixe arenga, faz algum mal comer menstruada?.

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  11. Cavala e um peixe carregado para quem fez uma cirurgia odontológica?

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  12. Peixe garoupa é remorso ou carregado alguém sabe dizer,porfavor.

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  13. Peixe xerelete é reimoso pra quem fez cirurgia?

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  14. O peixe perdoa, faz mal para quem tem ácido úrico elevado??

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  15. Peixe peroa faz mal para quem tem acidá úrico elevado???

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  16. Fiz esteroquitomia posso comer pescadinha

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  17. Olá! Boa noite adorei esse tema😋😋

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  18. Li o artigo original e a metodologia é bastante pobre, já que não se administrou o peixe por via oral que é a forma que humanos ingerem. Ninguém aplica extratos ou exsudatos de peixe por via subcutânea. Apenas a via oral seria representativa.

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